Recordações da universidade ... a gente sofre, mas se diverte .
Para os meus amigos que presenciaram esse episódio, texto original, sem edição!!
Bjs aos comunicólogos !!!
Era uma manhã ensolarada do inverno de 2004, extremamente comum e onde todos os estudantes da sala 403 C já estavam de saco cheio com a quantidade de trabalhos que tinham que fazer. Horas pensávamos que nossa sala parecia horta – brotava trabalhos pra fazer, chovia estresse.Como não poderia deixar de ser, nós temos o costume de dar muito carinho aos nossos mestres, dando um presente valiosíssimo – apelidos – sim, apelidos para que essa raça maldita aprenda o que que é bom para a tosse, melhor, pra deixarem de ser malas. Estávamos na melhor aula da semana – português, acreditem se quiserem ... não que a disciplina seja maldita, mas quem merece aqui nossos aplausos é a queridíssima Patrícia, a professora maldita. Nesses meus tórridos anos de vida e experiência escolar, nunca vi uma pessoa mais gorda – literalmente – me recordo da primeira semana de faculdade. Ah que maravilha, tudo pareciam flores até que a primeira terça-feira de faculdade chegasse. Ela entra na sala já alertando: “cuidado comigo, não mordo mas sou perigosa”, “olha, fiquem sabendo que a maioria dos meus alunos ficam de DP, portanto, estudem queridos!!!” Veja se eu posso com uma dessas !!!! A vontade que tinha era de matá-la, aliás, não era somente minha sala que tinha esse desejo incessante nos corações, mas era um movimento de todos os alunos que tiveram aula com aquela maldita.Os meses passam e ela leva consigo 95% da sala para exame – a maioria da sala, imaginem (dentre esse povo não poderia faltar a minha ilustre presença, obviamente, fiquei por meros 0,5 pontos... ai que vontade de morrer, melhor, de matar a Annaconda). Falando em nomes,esqueci de comentar sobre os da Pat Silvestre (pata silvestre é melhor?): o primeiro deles eu fiz questão de tornar público – meu ilustre cérebro criou o apelido de Annaconda, um carinho invejável não é?Depois de alguns dias, meus colegas criaram mais alguns: Tampa, Chupeta de Baleia, Tampa do Oceano Atlântico, Colchão amarrado pela cintura, Porc Pig Show, Pig, Leitoa, Elefoa e por aí vai. Na verdade, ela é recordista de apelidos e ameaças de morte.Lembrei que esses dias ela ficou presa lá no Rio de Janeiro. A Orca morreu e voltou pra nossa desgraça.Iríamos fazer até uma festa em homenagem ao fim dela, mas eis que surge a maldita na porta da sala.Durante esse difícil tempo de convivência com essa energúmena, mesmo que suas aulas fossem bem aproveitadas por nós, era necessário estudarmos para as provas regimentais. Formei com alguns amigos um grupo de estudos para que fossemos melhor preparados para enfrentar as tais provas. A matéria que mais estudamos foi português, óbvio e sempre. Estudamos muito e por mera bobagem e falta de vontade dela fiquei de exame também. Lembro de suas palavras como se fosse hoje “você vai fazer o exame!! Não tem vista de trabalhos nem provas!!” Fui... mas fui armada. Montamos o grupo de novo e a galera confiava no meu potencial, portanto, quem ensinava a matéria para o povo era eu... “Teacher Taty” ... mas beleza, consegui a meta.Chegou o dia do exame . Todos estavam nervosos e pra variar no melhor tempo possível – chuva e trânsito parado – cheguei com 30 minutos de atraso na sala. Para a minha sorte, cheguei acompanhada de um amigo que estava na mesma situação.Terminado o tempo de exame, ela dispensou a sala para um café e disse que estaria corrigindo as provas. Para a minha surpresa, a galera gritava meu nome pra todo canto e fiquei assustada com tal atitude. Descobri o mistério – tinha gabaritado a prova ! Por mais difícil que seja acreditar nessa atitude da Tampa, é verdade. Quando vi os meus merecidos 10 pontos naquela folha timbrada com o logotipo da universidade fiquei louca. Eu sabia que não merecia tudo aquilo (passar pelo exame) já era um mérito antigo, do fim daquele semestre. Tudo que eu mais queria era esfregar na cara dela aquele papel e dizer tudo que eu estava pensando, toda a minha raiva e rancor que guardava na alma porque aquilo marcou a minha vida – 1º ano de faculdade, 1º exame. Jamais esquecerei disso.Para variar a situação, o ano acabou, feliz natal e boas festas pra todos e até a próxima. Chegamos no ano seguinte e a mesma voltou, com o novo sistema de ensino da faculdade – semestralidade – nossas vidas a partir dali não eram as mesmas, estudar sempre foi nosso lema, mas agora temos que estudar por 10, ou seja, nadava estresse no cérebro.Ela pede para que todos na próxima aula estejam com sua apostila em mãos porque seria correria. Compramos e estudamos nos conformes. Lá vem de novo as provas, malditas provas. Quem foi o infeliz que as inventou? Quem inventou a média escolar? Quem inventou os exames? Quem inventou a tortura acadêmica?
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