Fazia tempo que eu não relaxava tanto. Fazia tempo que eu não sabia o que era dormir direito, fazer o que eu bem queria (melhor, fazer nada), fazia tempo que eu sentia falta de humanos inteligentes.
Outro dia pra minha surpresa em meio a uma conversa, surgiu um convite, diferente, desafiante e que me exigia marra e peito pra aceitar. Estava eu batendo papo com o meu eterno mestre e pai de profissão, quando aquele vozeirão que ele tem me convidou para fazer parte da banca examinadora dos tccs do curso tecnológico de comunicação e marketing da Unicid. Fiquei feliz a beça com a escolha e a preferência para me atribuir tal função, ao mesmo tempo ansiosa, já que o Vagner me deu passe livre pra fazer os comentários que eu quisesse (meu pai enlouqueceu, só pode rs).
Em um processo bem diferente do que estava acostumada, minha missão era analisar profundamente as estratégias e as táticas que os grupos elaboraram para resolver um problema de imagem do Renault Logan, ações de curto, médio e longo prazo. O trabalho não exigia o desenvolvimento de peças, como um tcc de propaganda, mas como em qualquer outro trabalho, exigia coerência. Além de, claro, avaliar estética, oralidade, postura, entre outros detalhes.
Entrei no local acompanhada do Vagner e do prof Luiz (que também é professor da Unicid, homem de opinião firme e muito respeitado por lá). Cheguei observando o espaço, os alunos, sem muita conversa até então, quando o Vagner me apresentou a sala, como analista de negócios da BR/OI ... o povo daquela sala saltou os olhos, aí eu pensei " que do caralho ... mas não esqueça que vc pode apanhar aqui hoje." E eu só tinha aquele dia pra fazer tudo que deveria, era a vida de cada um que estava sob meu julgamento.
As apresentações rolaram e quando me reuni com os professores para a avaliação final, fiquei feliz em perceber que estou "afinada" com eles, de que não estou tão retrógrada quanto imaginava, por estar longe das salas de aula há quase 4 anos. Eu me sentia preparada e segura para avaliar, caso contrário, não me sujeitaria a tal situação.
O Vagner abriu o espaço para a avaliação e o professor Luiz começou, para minha salvação rs. Quando chegou a minha vez, procurei ser ao máximo coerente, eu tinha muita coisa para falar, fiz vários apontamentos, mas não deixei os alunos com medo de mim (eu tinha que salvar a minha pele também), contribui com sugestões para o futuro. Em geral, os trabalhos tinham raciocínio, apenas 1 precisava ser melhor lapidado, mas não estava errado e não foram prejudicados.
O melhor da história foi o pós tcc. Quando terminamos com a bancada, tive a oportunidade de me misturar com o pessoal (agora me sentia uma aluna rs), fui bater papo e conhecer as impressões que deixei por lá. Uma aluna que avaliei falou " vc entrou tão quieta na sala, mas na hora em que começou falar ... vc foi brilhante." Entre outras coisas que ouvi, fiz um network básico, fiz fotos com os alunos, enquanto o Vagner me observava. Eu sabia que depois dali, ele faria comentários que para minha surpresa, foram além do que eu esperava. Isso fez com que eu percebesse de fato, a minha evolução no campo profissional, em pensar com amplitude, a capacidade de análise, de alinhamento com o que o mercado tem hoje. Isso me deixou feliz, os comentários dos alunos, até o professor Luiz que acabara de me conhecer, me parabenizou pelo desempenho. Adorei essa resposta positiva e os elogios do Vagner, que me renderam mais 2 confrontos: participar da pré banca examinadora e de sabatinar em uma mesa de negócios, ambas na Unicsul.
Essa brincadeira já foi mais a minha cara, afinal eu estava em casa, lugar onde minha agência se tornou um mito e referência (descobri que a imagem da Versátil permanece viva por lá). Primeiro, enfrentei a galera dos tccs de São Miguel e tive como companheiros de banca o professor Roca (que não é do meu tempo, mas que sabia quem eu era) e o Alexandre Giorgio, que examinou a criação do meu tcc nos tempos de banca de qualificação. E a bancada foi super produtiva, alinhada mais uma vez, alunos que sabem ouvir, argumentar, defender suas idéias. Rolou até convite pra depois da banca irmos ao The Fifties (cliente de uma agência).
Chegou o dia de ir ao campus Analia Franco participar de mais uma banca, melhor, de uma mesa de negócios onde eu era a cliente e tinha que decidir com qual agencia trabalhar. Eu representaria uma profissional de marketing do MBA da Unicsul. E enquanto estava lá acompanhada da Katia, Lara Maria, Giorgio e Brandão (esse merece um capítulo a parte), o Vagner estava na maternidade. Minha irmã mais nova inventou de nascer naquele dia rs. Deu tudo certo, de ambos os lados e percebi o quanto faz falta a presença do Vagner, aí sobrou pra mim kkk, uma pena não ter tido tanto tempo pra sabatinar mais aquele pessoal.
O Brandão é uma figuraça, professor de planejamento. Eu precisava conhecer alguém do gabarito daquele homem, em todos os sentidos, me encantou de verdade. Me senti do lado do Roberto Justus, se este fosse um publicitário ... o cara tem uma presença que sei lá, nem dá pra explicar, ele causa impacto.
Seus argumentos não fez a galera chorar, mas causou um pânico. O bacana é que os alunos não ficavam quietos, tinham argumento pra tudo, ele replicava, eu replicava e a galera mandava a tréplica, poderíamos ficar horas debatendo com os alunos que seria incansável.
Poderia ter sido muito melhor, se não fosse o tempo. O pouco tempo que tive oportunidade de conversar com ele (porque se deixasse, amanheceríamos por lá) foi ótimo para compartilhar idéias, pensamentos e até pra descobrir que ele é casado com uma jornalista que eu ajudava na facul (essa hora foi hilária). Sem contar que ele carrega uma vuvuzela no carro ... agora eu posso dizer que mais bagunceiro que ele eu não conheço. Pensei em alguns nomes, mas ele consegue ser pior. Será perigoso o dia em que o Joubert, o Brandão e eu nos juntarmos pra conversar ... aí não tem quem segure. Bater papo é com a gente mesmo! E sai de baixo rs. Eeeeeee Brandão!!!
Essas atividades foram super produtivas! Encontrar a galera de lá sempre me faz bem e o bacana dessas experiências são a oportunidade do brainstorm, de reconstruir e exercitar conceitos e a percepção do amadurecimento. Conhecer alunos, profissionais da área, fazer network, reencontrar meus mestres. Conhecer o Luiz, o Roca e o Brandão me deu uma baita injeção de ânimo. Reencontrar o Vagner, que talvez me conheça melhor do que o meu próprio pai biológico também foi ótimo. E nessa brincadeira, ampliei também o meu currículo e quando eu entrar na pós graduação, já terei 16h certificadas em atividades.
Só tenho que agradecer o reconhecimento que recebi de todos e até os convites dos alunos por mim sabatinados para adicionar no orkut, facebook, twitter. Trocar essas figurinhas também faz parte do nosso amadurecimento profissional.
Um comentário:
"o tempo não para" e faz bem voce provar isso, mantenha sua força e sua criatividade pois inumeras portas abrirao para vc no futuro, e vc nunca estara sozinho!
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